5 anos, sentada confortavelmente em sua cadeirinha acoplada ao banco de trás, do alto de seus 20 quilos, ela dispara:
- Gente, será que não dá para chegar mais pro lado, porque está muito apertado aqui.
- Não dá pra chegar pro lado, nós estamos apertados, você está com bastante espaço na sua cadeirinha e ainda está protegida por essa barrinha de apoiar braço.
- Sabe o que é? Essa barrinha ocupa muito espaço.
- Ah, sim. E você é enorme, né?
Pausa. Ela ajeita os cabelos encaracolados, lança um olhar pensativo e manda:
- Você está me chamando de gorda?
segunda-feira, 31 de maio de 2010
quarta-feira, 28 de abril de 2010
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Meias mentiras
Quando olhei nos teus olhos e disse que fosse embora, que estava tudo acabado entre nós, eu menti.
Foi capricho, ainda te amava, queria te ver rastejando, implorando que eu ficasse, que sem mim não saberia viver.
Só não imaginei, do alto da minha vaidade, que você iria, simplesmente, concordar.
Foi capricho, ainda te amava, queria te ver rastejando, implorando que eu ficasse, que sem mim não saberia viver.
Só não imaginei, do alto da minha vaidade, que você iria, simplesmente, concordar.
domingo, 28 de março de 2010
Cotidiano
- Algo de errado? Você está estranha.
- Não sei se te amo.
- Quem falou de amor?
- Eu. Na verdade, falei que não sei se te amo.
- E de onde veio isso?
- De mim. De lugar nenhum. Estava pensando no que sinto por você e percebi que não sei se te amo. Mas sei que gosto de você.
- E isso não é um começo?
- Acho que sim. Será que eu deveria te amar?
- Não sei.
- Você me ama?
- Não sei. Eu gosto de você.
- É um começo.
- E é por isso que você estranha?
- Não. Estou pensando no que fazer para o almoço amanhã. Quero impressionar sua família.
- Fica calma. Eles vão gostar de você. Não importa o que você fizer para o almoço.
- Pensei em fazer peixe.
- Minha mãe não gosta de peixe.
- Tá. Eu penso amanhã.
- Vamos dormir?
- Vamos. Boa noite.
- Boa noite.
- Me abraça?
- Não sei se te amo.
- Quem falou de amor?
- Eu. Na verdade, falei que não sei se te amo.
- E de onde veio isso?
- De mim. De lugar nenhum. Estava pensando no que sinto por você e percebi que não sei se te amo. Mas sei que gosto de você.
- E isso não é um começo?
- Acho que sim. Será que eu deveria te amar?
- Não sei.
- Você me ama?
- Não sei. Eu gosto de você.
- É um começo.
- E é por isso que você estranha?
- Não. Estou pensando no que fazer para o almoço amanhã. Quero impressionar sua família.
- Fica calma. Eles vão gostar de você. Não importa o que você fizer para o almoço.
- Pensei em fazer peixe.
- Minha mãe não gosta de peixe.
- Tá. Eu penso amanhã.
- Vamos dormir?
- Vamos. Boa noite.
- Boa noite.
- Me abraça?
terça-feira, 23 de março de 2010
Cuidados
Se cuida. Havia poucas expressões que a irritassem tanto quanto 'se cuida'.
Continha uma forte carga de 'agora que você está sozinha', 'que não é mais problema meu', 'que eu não estarei aí pra cuidar de você'. Quase um 'se vira'.
Era, na grande maioria das vezes, um adeus, ou, no mínimo, um até logo em que o logo nunca chegava.
Até que ela descobriu que 'se cuida' poderia vir acompanhado de saudade genuína, de vontade de estar perto pra cuidar de verdade. E o 'se cuida' passou a vir com sobrenome.
'Se cuida, do jeito que eu cuido de você'.
E ela parou de se incomodar tanto.
Continha uma forte carga de 'agora que você está sozinha', 'que não é mais problema meu', 'que eu não estarei aí pra cuidar de você'. Quase um 'se vira'.
Era, na grande maioria das vezes, um adeus, ou, no mínimo, um até logo em que o logo nunca chegava.
Até que ela descobriu que 'se cuida' poderia vir acompanhado de saudade genuína, de vontade de estar perto pra cuidar de verdade. E o 'se cuida' passou a vir com sobrenome.
'Se cuida, do jeito que eu cuido de você'.
E ela parou de se incomodar tanto.
quarta-feira, 10 de março de 2010
Amorico
Acho lindo isso de namoro de portão, daqueles quase de criança, de ter de ficar sempre à vista e tomar cuidado pra não fazer nada que alguém possa desaprovar.
Daqueles em que se dá mais valor às coisas pequenas, tipo beijar na boca, pegar na mão, dedicar música que lembre aquele dia legal em que vocês tomaram sorvete juntos pela primeira vez, mais beijo na boca, mandar recadinhos românticos, escrever cartas de amor tão ridículas quanto cartas de amor devem ser, dizer que gosta, gosta mesmo, gosta de verdade de alguém, de sentir borboletas voando na barriga.
Gosto da ideia do namorinho bobo, sem preocupações, sem todos os problemas que só gente grande consegue inventar, parece que só pra estragar algo que as meninas acreditam, como princesas que são, que pode fazê-las felizes para sempre.
Às vezes, eu sinto falta dessa inocência.
Daqueles em que se dá mais valor às coisas pequenas, tipo beijar na boca, pegar na mão, dedicar música que lembre aquele dia legal em que vocês tomaram sorvete juntos pela primeira vez, mais beijo na boca, mandar recadinhos românticos, escrever cartas de amor tão ridículas quanto cartas de amor devem ser, dizer que gosta, gosta mesmo, gosta de verdade de alguém, de sentir borboletas voando na barriga.
Gosto da ideia do namorinho bobo, sem preocupações, sem todos os problemas que só gente grande consegue inventar, parece que só pra estragar algo que as meninas acreditam, como princesas que são, que pode fazê-las felizes para sempre.
Às vezes, eu sinto falta dessa inocência.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Partida
Preso à porta da geladeira, ela encontrou um curto bilhete.
"Com você eu posso ser eu mesmo. O problema é que eu não gosto de mim."
"Com você eu posso ser eu mesmo. O problema é que eu não gosto de mim."
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Caracóis
Lamento os cabelos presos num coque e penso que
talvez devesse meter a tesoura e deixar pelo chão
os puxões apaixonados, os cafunés carinhosos
e o cheiro do seu colo, entranhado nos fios, que
shampoo nenhum consegue tirar.
talvez devesse meter a tesoura e deixar pelo chão
os puxões apaixonados, os cafunés carinhosos
e o cheiro do seu colo, entranhado nos fios, que
shampoo nenhum consegue tirar.
sábado, 23 de janeiro de 2010
Ausência
Nunca percebi que sentia falta das coisas que deixei de lado por você.
Quando você foi embora, foi fazendo todas elas de novo que percebi
Que já não sentia mais a sua falta.
Quando você foi embora, foi fazendo todas elas de novo que percebi
Que já não sentia mais a sua falta.
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