quarta-feira, 9 de março de 2011

Amor?

Ô, coisa difícil hoje em dia esse negócio de amor. Não desses amores instantâneos que se declaram a torto e a direito por aí, como se só precisasse adicionar água quente e um tantinho de tempero, mas daqueles de dar gosto, de durar uma eternidade. Ou uma intensidade, como pretenderia o poeta.

Não há mais amor à causa, ou à camisa. Amor não tem gosto, cheiro, forma ou cor. Não dá pra tocar, pra descrever, é um disse me disse danado. Não dá pra tirar foto e compartilhar nas redes sociais, pra todo mundo ver que você tem e eles, talvez, não.

Amor não tem etiqueta, grife, não está na moda, as amigas não podem morrer de inveja.

Não dá pra morar nele, ou dirigi-lo até um lugar bacana pra todo mundo ver que você tem.

Não tem de todas as cores e tamanhos, não vem coberto em prata, ouro, platina, sequer chocolate!, cravejado de brilhantes ou cristais Swarovsky. Tem nem como avaliar, botar um preço, levar a leilão. Não serve de investimento, seu valor não rende nada ao longo do tempo.

Deve ser por isso que ninguém mais sabe o que é, ou entende quando sente. Algo assim, tipo gentileza ou vergonha, acho que se perdeu em meio a tantas outras coisas, como a falta de tempo.

terça-feira, 1 de março de 2011

Existência

Ela estava lá.

Não sabia se isso significava alguma coisa.

Ela simplesmente estava.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Abandono

Tinha tanto medo de ser deixado novamente que não poderia imaginar que a dor maior seria a de ir embora.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

O Paninho Verde

O paninho verde foi visto pela primeira vez nas cercanias do quarto andar, encolhidinho no canto de um degrau. Todos passavam por ele e torciam o nariz. Era sujo e parecia muito usado, mesmo que ninguém soubesse exatamente pra que.

De onde tinha vindo o paninho verde, afinal?

O desprezo dos outros o afetava, era fácil perceber. Pobrezinho, se arrastava sem vontade pela escada. Tomava períodos longuíssimos para andar um tiquinho a mais. Coisa pouca mesmo. Em dois dias, sequer tinha conseguido chegar ao terceiro andar.

Estava obviamente em fuga, mas faltava vontade para chegar a algum lugar. 

E onde queria chegar?

Pois, enquanto o coitado caminhava em sua indefinição, uma menina passou por ele e enxergou potencial. Justo naquele dia, em que ela decidiu trocar o elevador pelas escadas, lá estava o paninho verde. 

Então ela o levou para casa, o lavou com um suave sabão líquido e um belo amaciante.

Hoje ele ocupa lugar de destaque em seu aparador, logo abaixo do pote de vidro onde joga as chaves assim que chega em casa. 

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Mais um pouco

Chegou em casa cansada. Na geladeira, o suco. No freezer, a vodka. Estava cansada, mas a cabeça não parava. Só conseguia pensar no dia seguinte, no resto da semana, em tudo que ainda tinha pra fazer. Estava cansada, mas o sono nunca vinha.

Só um gole. Pra relaxar.

Bebia e ensaiava as palavras do e-mail que precisava mandar, fazia as contas do relatório que tinha de entregar, tentava lembrar se tinha salvado aquele arquivo, se tinha desligado a máquina e trancado a gaveta. Ainda tinha chá preto na gaveta? E os bombons pra beliscar nos intervalos que se forçava a fazer?

Só mais um copo. Pra tentar esquecer.

Merda. O sono não vinha. A cabeça não parava. E os pensamentos, malditos, não se acalmavam. No fim das contas, começaram a se misturar. Entre eles e com a saudade.

Acabou o suco. Pior, acabou a vodka.

E ela continuava. Só.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Sem

Tantas coisas não ditas por preguiça, medo de ser mal entendido ou não ser correspondido.

Palavras que ecoaram só em sua cabeça, diálogos não ocorridos.

Oportunidades perdidas.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Ato falho

Resíduo de uma vida em comum, ficou o engano de chamá-la de amor ao fim de uma breve conversa ao telefone.

sábado, 15 de janeiro de 2011

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Fachada

Para todos, eram o casal perfeito, coisa de revista mesmo, nenhuma falha pra apontar.

Mas ele, sempre que os via, não deixava de pensar:

"Ao menos, meu amor era sincero".

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Negação

Às vezes debochava do quanto as mulheres conseguiam ser tão tolas.

Tantas outras, apenas queria as mesmas coisas que elas.