segunda-feira, 1 de abril de 2013

Diagnóstico

Anna acordou enjoada. Na verdade, estava enjoada fazia um tempinho, mas na última semana tinha piorado bastante e naquele dia ficado insuportável.

Justo ela, que tinha fobia de hospitais, admitiu que não daria mais pra enrolar.

Precisava de ajuda profissional.

Chegou no balcão, entregou a carteirinha do plano, a identidade e explicou à enfermeira o que estava sentindo. Estava morrendo, era claro.

Talvez estivesse ali só para que o médico lhe dissesse quando, assim poderia arrumar as coisas e deixar tudo pronto.

Odiava dar trabalho.

- Anna? Anna?

- Eu! Aqui!

Não demorou muito que chamassem seu nome.

- Anna, o dr. Raul irá atendê-la. Por favor, vá com ele.

Dr. Raul. Anna não sabia se queria ser tocada por um Raul. Enfim. Ela também não queria morrer e talvez fosse o caso.

- Anna. Diga, Anna. O que você está sentindo?

- O que eu NÃO estou sentindo, né? Talvez fosse mais fácil começar por aí.

- Como preferir.

- Estou com taquicardia. E um enjoo que não passa. E volta e meia me dá uns calores, não sei de onde vem, ou pra onde vão, porque somem com a mesma facilidade com que vieram.

- E isso começou há muito tempo?

- Uns meses.

- Meses???

- Sim.

- Mas você procurou um médico só hoje?

- Não gosto de hospitais.

- Claro, faz muito sentido.

- Acho que o senhor está sendo irônico.

Mal se conheciam e ele estava sendo irônico. Homens.

- Preciso que você faça alguns exames.

- Por isso odeio hospitais.

- Bom, preciso descartar qualquer doença séria e os sintomas que você descreveu são meio genéricos.

Anna foi levada pela enfermeira para uma bateria de exames. Testaram seu coração, seu cérebro, hemograma completo, urina e até fezes.

- Anna? O dr. está com os resultados dos seus exames, pode entrar.

Como ela odiava os segundos que precediam a entrega dos exames. Especialmente considerando que eles a tinham testado até o DNA.

- Quanto tempo tenho?

- Você não tem nada, absolutamente nada.

- Como assim NADA? Mas e os enjoos, a dor de cabeça, as tonturas, as pernas bambas, o coração batendo...

Anna foi interrompida por seu celular, tocando escandalosamente um alerta de mensagem.

- Desculpe.

Enquanto botava o maldito no mudo, o médico pôde observar seu rosto corar. Aproveitou e levou o estetoscópio até seu peito e observou seu coração, disparado, pular uma batida. Ou duas.

- Namorado?

- OI? CLARO QUE NÃO!

Três. Talvez quatro.

- Hum. Definitivamente. O que você tem é só amor. Ou paixão?

- Hein? Tem certeza, dr.? Certeza que não é uma virose?

Sim. Uma virose seria bem mais fácil de tratar.

E de explicar.

2 comentários:

Rafael Marçal disse...

Muito bom, gostei do assunto e da forma que abordou. Vou dar uma fuçada geral pra me enturmar com os textos.

Parabéns, só podia ser mulher escrevendo assim =P

Patsy disse...

Ai, como tô Anna ultimamente...
Parabéns pelos textos! Tô há um bom tempo aqui lendo e não consigo sair do blog!