segunda-feira, 10 de março de 2008

A próxima

Tentar pegar o buquê da noiva em um casamento é um esporte definitivamente radical. E o grau de dificuldade aumenta exponencialmente quando o terreno em que a mulherada se amontoa é fofo, como um gramado.


Equilibrar-se de salto fino na terra macia é tarefa para artistas do Cirque du Soleil. Mais ainda quando várias fêmeas enlouquecidas pela possibilidade de serem a próxima a casar se movimentam do seu lado como jogadoras de futebol americano. Praticamente levantando as saias para aumentar a mobilidade, alongando para prevenir lesões, dando aquela cuspidinha na mão para garantir a pegada. Uma boa estalada no pescoço para ter certeza de que estão preparadas. Pode mandar, noivinha... Pode mandar...


E eu ali parada, minha primeira vez. Sabendo que qualquer movimento brusco resultaria tão somente em um estabaco muito feio, com possível exposição da calcinha. Nem pensar...


A noiva manobra as moçoilas e logo se percebe que há uma favorita para o prêmio. A madrinha, melhor amiga. Imagina que lindo se ela pegar o buquê... Praticamente poético, definitivamente romântico. E ela seria a próxima, e as duas seriam esposas e todos os tralalalas. Sem problemas, eu não pretendia me mexer mesmo...


O cerimonialista vem, mais parecendo aqueles assistentes de palco de programa de auditório, instruindo a multidão sobre como proceder. Contem 1, 2, 3 e a noiva joga o buquê!


1... 2... 3!!!! Aha! Vocês pensaram que ela ia jogar, né? Mas a primeira é sempre de brincadeirinha...


1... 2... 3!!! Agora sim, ela joga o bendito. Como todos sabem, a cena então fica em câmera lenta.


O buquê vem vindo exatamente na direção prevista. As mulheres começam a se movimentar. Esticam os braços. As mãos ansiosas para tocá-lo. O buquê encobre a madrinha e cai perfeitamente... Nas minhas mãos!


A velocidade volta ao normal e duas velhas ensandecidas voam em direção ao buquê, derrubando-o das minhas mãos com um golpe de karate de solteirona que vai ficar pra titia. Flores pra todos os lados, mais mulheres enlouquecidas voando para recolher os restos do buquê que obviamente já era meu.


Então uma das minhas amigas levanta o troféu, mas o entrega novamente a mim. Todos viram a cena perfeita de cinema que o conduziu às minhas mãos. Até o momento de desespero extremo das senhoras não casadas.


Foto com a noiva. Eu e a amiga que resgatou o buquê do chão. E o dito cujo, claro.


Volto eu para o restaurante com o que restou do que minutos antes era, ainda, um belo montinho de flores. Só para ouvir o cerimonialista dizer que eu tinha a mão furada.


Então eu peguei o que havia sobrado das flores e enfiei na boca dele, pra aprender a não mexer com a pessoa errada...


Mentira... Fui direto pra minha mesa tentar conseguir uma água. Eu precisava repor as energias...

2 comentários:

Anônimo disse...

É, vc é a próxima. Agita as amigas, prepara o ônibus de excursão para Petrópolis e chama sua avó para organizar o chá de lingerie...rs...
Parabéns pelo buquê. Casando ou não, conseguir pegar um numa festa lotada é tarefa só para as mais espertas (ou sortudas).
Beijos
Sabrina

Luiz com Z disse...

Além de louvar sua maestria, não posso deixar de comentar que você teve sorte do buquê se despedaçar apenas depois. No último casamento que fui, a noiva tava tão mamada que rodou várias vezes, como se fosse uma baiana (e eu vi literalmente de camarote, do segundo andar da Confeitaria Colombo). Quando parou de rodar e finalmente jogou o buquê, este se desfez em pleno ar, cada flor pra um lado.

Isso também foi cinematográfico.